Breve Resenha Histórica
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A freguesia de Loureiro, uma das dezanove freguesias do Concelho de Oliveira de Azeméis, dista cerca de 7 Km a sul, da rede concelhia, 40 Km do Porto e 30 Km de Aveiro. Ocupando uma extensa planície de 22 Km2, nela se desenvolvem harmoniosamente variadas explorações agrícolas, comércio dinâmico e indústrias dos mais diversos ramos. Tem uma população de cerca de 3800 habitantes.

Em 1993, Loureiro comemorou o primeiro milenário da data do mais antigo documento que refere o seu nome. Diz esse texto, em pergaminho, que a 18 de Maio de 993 , um certo Godesteu vendeu a Gonçalo Fernandes e a sua mulher Ermesinda uma herdade que tinha na villa laurario, entre as vilas de Tonce e de Macieira, como troca de uma fiança que fez em nome de Querino, para que este saísse da cadeia onde estava a ferros. Tendo o mesmo Querino fugido às suas obrigações, Godesteu, responsável pela solvência da dívida, quis honrar a sua palavra, entregando a Gonçalo Fernandes a referida herdade que “lhe tocou entre irmãos e herdeiros”, compreendendo “terras rotas e não rotas (=arroteadas), árvores frutuosas e não frutuosas, pedras móveis e imóveis, águas de águas, sessegas (assentos) de moinhos, pastos, pauis, saídas, acessos a montes e regressos”.

Desta leitura resumida do documento, que consta do estudo que fez o erudito medievalista Dr Armando de Almeida Fernandes denominado “No Milenário de Loureiro (993 - 1993)", podemos concluir que Loureiro era uma terra muito mais antiga, com vida social intensa, podendo a sua primitiva Igreja ter sido uma das basílicas (Igrejas baptismais) da paróquia suévica (do século VI) designada por Insula (Ínsua), no território que tinha como cabeça o castro de Recarei (lugar do castro, S. Martinho da Gândara).

No princípio do século XI, habitaram a terra de Loureiro poderosas pessoas que aqui possuíam vastas herdades. No século XIV, uma família nobre, igualmente poderosa, descendente de Estêvão Peres, meirinho-mor de Aquém Douro, possuía o domínio do lugar de Tonce.

Segundo as inquirições de D. Dinis (1284 a 1288), o Rei D. Afonso II, seu pai, numa das visitas às Terras de Santa Maria esteve (“pousou”) em Loureiro para dar posse da Igreja ao Pároco de então, pelos serviços que lhe prestara, estando presentes Afonso Ribeiro e Martim Dias, “que eram herdeiros por parte das molheres e outros herdeiros”.

A Igreja actual, cuja construção data de 1925, substituiu a anterior de 1673, cuja capela-mor visigótica era, de acordo com a tradição, a antiga “capela” de São João. Administrativamente, a freguesia de São João pertenceu ao antiquíssimo Concelho de Bemposta, inicialmente da Comarca da Feira. Mais tarde da de Esgueira e, actualmente, na de Oliveira de Azeméis.

Território milenar, a ele está ligada a lenda das “Almas da Moura”, uma história simples e maravilhosa que se prende com a existência de uma grade de ouro encantada, à espera de ser desencantada por intrépidos loureirenses.